MARIANA ROSSI

eu-plural
Com o apoio da LINC (Lei de Incentivo à Cultura de Sorocaba), o projeto de publicação do livro líquida, eu-plural, conta com uma frente formativa: a Oficina de Escrita Intuitiva desenvolvida por Mariana Rossi em parceria com o Jornalista Cultural e Mestre em Comunicação Thiago Rizan e o artista visual e arte-educador Thiago Goya.
A oficina-imersão visa ser um território seguro para o compartilhamento de ferramentas de criação e desenvolvimento da escrita intuitiva de cada participante. A partir de exercícios que estimulam a imaginação, a presença e a dilatação do corpo e do espaço, investigamos possibilidades de transformar experiências, pensamentos e desejos em uma narrativa poética pessoal.
Em julho de 2021, foram realizadas duas oficinas e, aqui, você pode conhecer fragmentos de processos de investigação das pessoas que participaram.
por
Larissa Maria
O que sinto?
O desejo que também é medo, se embaralham em sequência ao que mais estiver disposto a imperar.
Questões essas de decisão que são determinadas por critérios que passam pelos mais diversos filtros.
O que se sabe é apenas um fragmento, conteúdos do nosso inconsciente são tão pouco acionados pela visão limitada da nossa consciência.
Acreditamos também que somos capazes de controlar esses conteúdos, quando apenas descobrimos que sabemos lidar com algo que por hora é conhecido.
O sentir é tudo aquilo que não se há palavras, pertencem a experiência, corpo, o sentir é o agora, enquanto as palavras navegam pelo tempo.
por Thais Caterina Wataghin







por
Francine Segawa
por
Ana Laura
fragmentos - eu sou
o desejo que também é medo se embaralham em sequências do que mais estiver disposto a imperar...
estou viva!
me despedi da transcendência.
é aqui. é agora.
corpo. palavra. voz. encontros.
não deixo de sentir.
sou atravessada,
me transformo.
atravesso
e me transformo.
por Fernanda de Oliveira
De frente para a parede, ela não sentiu o tempo passar... Ela só se ocupou de piscar e respirar... Ela só estava lá...
Se permitindo sentir, estar presente, aproveitar o momento a experiência de respirar, viver.
O ar entrando nos pulmões, se enchendo de vida e esperança, sentindo e percebendo os cheiros e sensações tão presentes no seu dia, mas com o deleite de quem quer simplesmente ser feliz com seu próprio eu.
por Cláudia Gomes
por
bruna machado
Carta - Resposta
Colocados em taças, estamos te observando. Sabemos que nos quer expor para que, expostos onde seu olhar percorre nesse espaço tão seu que é seu quarto, você não esqueça que lhe olhamos de cima, mas de perto. Há silêncio em nosso olhar, há quietude. Viemos para ti de presente, um quê de místico e de proteção. Um axé colorido, imbuído de fé.
Sabemos que quando nos olha está buscando conforto, uma força e que em nossa proteção confia.
Só que precisamos dizer e que fique atenta ao que será dito: faz sua parte! Recolhe as pedras do seu caminho e faz com elas suas própria construções.
Existe limite para o tamanho dessas construções? São tantas pedras, afinal. Acho que vocês já têm noção só por observar.
Sim, eu busco conforto em vocês. Gosto do colorido, da calma. Gosto do místico, da proteção. Mas sim, eu entendo que nem tudo é fácil, que nem tudo é leve, e ignorar as pedras não me tornam mais forte.
Perambulo pelo quarto exatamente para ver quais pedras organizar agora. Vocês me veem por fora, mas aqui dentro tudo ferve, borbulha em pensamentos.
Gostei de saber que estão aqui para mim e gostei mais ainda de receber esse empurrão. Às vezes é só disso que precisamos.
por Eloisa Grego
O pouco de mim
Esse último ano, para mim, foi um grande exercício de reflexão. Tive todas as fases: tristeza, otimismo, medo, insegurança, saudade, solidão. Com tudo isso eu acabei percebendo que o meu olhar estava todo voltado para o externo, para fora de mim.
Confesso que no começo não fiquei preocupada ou me sentindo mal com isso, mas depois de passar um tempo pensando nisso eu fiquei bem frustrada por ter permitido que as coisas fossem assim e, principalmente, que eu não estivesse me tratando como a pessoa mais importante da vida.
Posso dizer que aí comecou realmente o meu período de quarentena. Uma guinada, uma quebra de paradigma, uma revolução interna.
Fiz vários cursos, coloquei toda a minha raiva para fora, aprendi que existe uma criança dentro mim e que essa criança deveria estar bem escondida porque eu nem sabia que ela existia.
Todo esse processo culmina com essa oficina. Onde pretendo aprender a colocar meus sentimentos, aprendizados. frustrações, alegrias, ..., no papel para poder evitar me ver nessa situação de novo e, talvez, quem sabe, ajudar alguma outra pessoa que ainda esteja na escuridão.
por Ana Carolina Barreto



por
Sandro Presotto
William Alves
Tempo...
Tocar. Sentir. Perceber os cheiros, gostos, texturas, os objetos ali postos e seus significados. O tempo. Tudo isso no tempo.
O tempo, marcado em horas, na verdade é muito maior que isso. É efêmero. Segundos de tensão e ansiedade que as vezes parecem horas. Deliciosas horas prazerosas que parecem minutos que se passaram rápido. É nesse tempo, que percebo a casa da minha família, as fotos dispostas no meu antigo quarto, representando o tempo, os tempos, os momentos. O gosto de origem, da minha origem, que as vezes é doce, as vezes ácido. A textura aconchegante do cobertor na cama, que por vezes me faz lembrar os braços de alguém cujo amor este vivo no tempo.
Os ruídos das conversas, da televisão, dos cachorros da rua e do gato que sempre nos acompanha desde meu nascimento. Mudam seus nomes, mas algumas coisas não mudam nunca, É esse tempo que busco quando estou aqui, observando memórias, jeitos, transformações, a passagem do tempo. Gosto de saudade, com cheiro de carinho e toque de amor.
por Vivian Maitê
Falar e ouvir a própria voz. Fala não para dizer, mas para sentir, para conhecer. Sempre me percebo com essas falas inquietas dentro de mim, pedindo passagem e desejando espaço para ser o que veio ser.
Há uma busca apressada para se pertencer a um tempo e espaço, uma necessidade criada de aceitação, de aprovação. Sou ao mesmo tempo essa busca e a voz querendo gritar para que me ouçam, mas vejo agora que eu mesma não me ouvia e não me sentia.
Dá a chance a si mesma para simplesmente ser, com tranquilidade e espontaneidade, com paciência e compaixão, essa é a chave mais cara que tenho nas mãos.
Depois que gritei não desejei mais ser esse silêncio que sufoca, que corta asas e caule, que arranca até às flores que começam a aparecer.
O começo de um sentido vem de um lugar bem guardado e quietinho que fica dentro de cada um de nós; nota-lo, respeita-lo e abraça-lo é um dos atos mais nobres e amorosos que tive com minha própria existência. Essa liberdade é vivificadora e traz paz!
por Patrícia Franklim
por
Jéssica Goya
Gabriella Poles
por
Renata Rossi
Rafaela Costa
Vertigem é equilíbrio instável, é um descontrole, é fluxo livre, desembestado.
Sim, ficar tonta nessa dança me transborda e verto giros, requebrados, remelexos e malemolências.
Tudo vira eu-corpo-prazer.
Eu-corpo-êxtase.
O joelho está aprendendo a se dobrar ao desconhecido. Andei rígida e resistindo a muitas coisas...
por Andréa dos Santos Melo
Fragmento
Queria o silencio para poder ouvir aquilo que a habitava. Parou. Respirou. Nada. Não pode se ouvir.
As batidas do coração a acompanhavam.Calma. Paz. Tranquilidade. A certeza que ali havia se encontrado. Colo. Aconchego.Asas. Ali sabia que poderia voar e ter sua liberdade.
por Júlia Figueiredo
por
Isabela de Lima
Eu
Só eu sozinha, eu estou sempre na minha. Tenho metas, mil objetivos, ando sempre meio apressada.... Vem que eu estou atrasada. Eu sei que vou gostar de você, se você me der espaço para ser só eu.
Eu louca, eu bruxa, inteira e em pedaços, às vezes consciente, às vezes perdida em memórias e fantasias.
Mas é disso que é feita a vida, pedaços quebrados do que foi e sonhos inteiros do que pode ser.
E há tanto que quero, tanto que pode ser... Mas o tempo... Ah o tempo... Implacável, não espera, consome os sonhos com fome e deixa para trás a vontade de sentir o que podia ter sido.
Mas espera, ainda é tempo... Tempo de ser, saber, fazer e conhecer.
Tempo de sentir que a vida é isso, a eterna construção dos sonhos, mesmo que muitas vezes se quebrem outra vez.
por Dora Smanioti
Vida.
Pode ser e pode não ser...
É, quando menos se espera...
As ideias estão em mim,
elas se desenvolvem em mim,
independente do lugar que eu esteja e me relacione.
Sou eu quem sente,
pensa e reflete.
Misturo sensações aos meus infindáveis pensamentos.
E me permito avançar...
Rumo ao coração pulsante.
por Selma Sena




por
Renato Dias
LIBERTAR...
Libertar das regras, medos, julgamentos. Será um desafio, mas é preciso viver, deixar fluir, navegar em águas desconhecidas e curtir o novo com prazer e sofrimento, com uma vontade movente que dispensa limites e fronteiras de mim mesma.
Quero ser maior que minhas cercas imaginárias. Abaixo todas as que por mim puderem ser arrancadas para abrir caminhos.
Quero deixar o fluxo seguir mergulhando em percursos sinuosos, curvilíneos, as vezes diretos. Até que feito água ou lava, percorra em mim prazeres desconhecidos que me esperam para meu deleite e fruição.
por Andréa Melo
Conseguir traduzir os pensamentos em palavras e não em listas, não resumir, sentir. Traduzir histórias e compartilhar momentos. Não me prender a regras, conjugações ou perfeições. Viver o momento presente, aproveitar as experiências. Repetir o que estiver com vontade.
Me permitir ser quem eu esqueci que posso ser. Trocar humanidades através das palavras que se atravessam. Me conectar aos espaços que adentro. Olhar para o meu corpo como se quisesse achar algo de novo, redescobrindo as suas potencialidades, belezas e inspirações.
Me permitir, me conhecer e transbordar.
por Gabriele Clemente










